domingo, 1 de fevereiro de 2009

OS PÁSSAROS NÃO CONSEGUEM FAZER-SE OUVIR - RUÍDOS CIDADES - 2




CIDADES RUÍDOS (2)
PÁSSAROS NÃO CONSEGUEM FAZER-SE OUVIR

INVASÃO – MAIS PRAGAS NOS JARDINS


Algumas espécies de aves comuns dos sub-bosques e das sebes podem ser frequentemente encontradas nas cidades, salienta o diário londrino THE DAILY TELEGRAPH.
Gaios, pegas e chapins rabi longos vêm procurar refugo nos jardins e parques urbanos, porque as valas, encostas e bosquetes que habitualmente lhes serviam de abrigo e de fonte de alimentos estão a desaparecer. Os dados recolhidos ao longo dos últimos 30 anos pela real Sociedade de Protecção de Aves indicam que o número de pegas em jardins aumentou 146 por cento e das rolas turcas 450 por cento.

Rouxinóis cantam cada vez ais alto

Resta saber se cantar à noite será o meio mais eficaz de lutar contra a poluição sonora. Esta não é, de facto, a unia opção. Quando não cantam à noite, os rouxinóis fazem algo que parece entrar em contradição com a sua melodia delicada: cantam mais alto! Quando gravou o canto dos rouxinóis entre as 17 e as 22 horas, Henrik Brumm, da Universidade de Saint Andrew, no Reino Unido, verificou que o nível sonoro das aves que viviam em Berlim era de 14 decibéis acústicos ( dB (A)) mais alto do que o canto das suas semelhantes das florestas e atingia mais de 95 dB (A), uma potência suficientemente elevada para levar um ser humano a tapar os ouvidos (o limiar do risco auditivo do homem é de 85 dB(A) e o limiar para integridade do ouvido humano situa-se nos 120 dB (A)). A intensidade do canto dos pássaros é proporcional ao nível do fundo sonoro cantam especialmente alto de manhã.

Estas alterações da hora ou da intensidade do canto representam uma solução bastante evidente para o problema mas algumas aves canoras elaboraram estratégias mais subtis.
O nível sonoro urbano é mais elevado nas frequências baixas (entre 1 e 3 quilohertz).Ao evitarem estas frequências baixas, os pássaros conseguem tornar mais audível o seu canto. Os melros, tentilhões cantores e pintarroxos optaram por esta solução, mas o especialista nesta matéria a ser o chapim-real.

Há cinco anos que Hans Slabbrkoorn, da Universidade de Leyden , na Holanda, estuda o modo como estas aves se adaptam aos ruídos urbanos. Descobriu que os chapins que vivem nas zonas mais barulhentas da cidade de Leyden emitem uma melodia cuja frequência mínima é mais elevada do que a dos seus semelhantes que povoam os bairros mais calmos. Quando estudou as populações de chapins-reais de dez cidades europeias, entre elas Londres, Paris e Amesterdão, Slabbekoorn apercebeu-se de que as melodias de todos os espécimes eram mais agudas do que as dos seus congéneres que tinham escolhido viver nas florestas e que a frequência do seu canto se elevava a cerca de 3200 hertz, ou seja, mais 200 hertz, em média. Os chapins-reais das cidades não só cantam numa gama d notas mais elevada como abandonaram os refrães tradicionais dos seus semelhantes das florestas., optando por refrães mais originais.

Esta capacidade de modificar as melodias é um trunfo valioso para enfrentar o burburinho crescente das cidades. Ao contrário de algumas aves, que aprendem todo o repertório no ninho, os chapins-reais e os tentilhões cantores, entre outros, alteram regularmente o seu canto ao longo da vida. Possuem um registo bastante mais rico do que o necessário e escolhem as suas melodias em função do contexto. Ao avaliarem qual o canto melhor adaptado a uma situação específica, os indivíduos podem servir-se da sua experiência e adaptar-se às mudanças de conjuntura.

Estas novas estratégias, cuja eficácia não deixa dúvidas, podem ser transmitidas aos jovens, que aprendem a cantar ouvindo os seus vizinhos mais experientes. Ou então os cantos podem ser melhor adaptados por defeito: se não conseguem ouvir as sequências de baia frequência emitidas pelos mais velhos, os pássaros jovens nunca aprenderão as melodias que incluem notas baixas, o que poderá diferenciar o seu canto dos repertórios locais.

EXCERTOS REVISTA
NEW SCIENTIST LONDRES
AUTOR ED YONG
DE MAR./08

JC




7 comentários:

dona tela disse...

Há gente que nunca ouviu um passarinho sem ser na gaiola. É muito triste.

Muito boa noite.

Marcia Barbieri disse...

Acho que tb deveríamos aprender a cantar mais alto e sufocar os burburinhos das cidades.

beijos ternos

Maria Dias disse...

Olá JC...

Nao te vi mais no Avesso...Chegando por aqui só ouço o barulho dos pássaros e sao tantos e sao muitos...
Torço para q estejas bem.

Abraços

Maria

prafrente disse...

E se calhar o rouxinol não canta!Chora!!Porque lhe destruimos o seu mundo...e o nosso vai por arrasto....se não entendermos que somos parte integrante da "criação" e não seus donos.

Um abraço

ลndreia disse...

Compreendo cada estudo que aqui foi escrito: ambientes mais barulhentos, obrigam-nos a falar mais alto também.
E se temos, um leque de sons mais variados, é muito previsível que evolua a maneira como nós comunicamos. *

blackchocol8 disse...

Estaba escuchando los mirlos encima de los tejados esta mañana y me acerqué a su blog. Estoy totalmente de acuerdo con las palabras del Seu Prafrente.

Vieira Calado disse...

Muito interessante.
Olhe, ontem à noite, por volta das 3, regressava eu a penates e ouvi cantar um passaroco, num jardim, no silêncio total. Era cedo para ser um melro. Fiquei sem saber o que era.

Um abraço