
ESTADOS DE ALMA
A tristeza e a alegria cruzam-se no semáforo do quotidiano. Não se opõem, namoriscam e até se apreciam mutuamente.
A alegria só o é verdadeiramente se consciente, porque a alegria não se confunde com a euforia. A tristeza só o é verdadeiramente se serena, porque a tristeza não se confunde com o desgosto.
Estar na alegria não é necessariamente ser alegre. Ser triste é coisa diferente de estar triste. A alegria e a tristeza são referências estáveis no mar da intranquilidade do nosso espírito. Não são meros estados de humor ou aditivos anímicos adquiridos no mercado das emoções.
A alegria e a tristeza unem o princípio e o fim das nossas vidas. Por isso, ambas estão associadas ao dever. Ao dever de viver, de dar vida e de entregar a vida.
A alegria não significa necessariamente felicidade, como a tristeza não transmite obrigatoriamente infelicidade. Pode-se ser feliz na tristeza e infeliz na alegria.
A alegria e a tristeza são expressões do afecto mais profundo que alimenta e estabiliza o amor. Pode-se amar na tristeza e desamar na alegria, embora se pense exactamente o contrário.
A alegria só existe porque há tristeza, senão seria um estado e alma neutro. A tristeza sem alegria seria uma espécie de pão ázimo onde faltaria o fermento que dá expressão à vida.
A alegria e a tristeza não são momentos. São estados de alma. Não se limitam a coabitar na mente. Aconchegam-se no coração e vagueiam pelo sangue.
Se a alegria é mais partilhada porque mais exteriorizada, a tristeza é mais solitária porque mais interiorizada.
Portugal, expressão de uma pátria e de um povo, é na sua soma uma expressão de alegria contida e tristeza afável. O fado e o canto exprimem a portugalidade deste modo de ser na duplicidade desta unidade sentimental.
Excerto do livro “Do lado de cá ao deus-dará”
de António Bagão Félix
Fotografia de Mark Freedom
JC
A alegria só o é verdadeiramente se consciente, porque a alegria não se confunde com a euforia. A tristeza só o é verdadeiramente se serena, porque a tristeza não se confunde com o desgosto.
Estar na alegria não é necessariamente ser alegre. Ser triste é coisa diferente de estar triste. A alegria e a tristeza são referências estáveis no mar da intranquilidade do nosso espírito. Não são meros estados de humor ou aditivos anímicos adquiridos no mercado das emoções.
A alegria e a tristeza unem o princípio e o fim das nossas vidas. Por isso, ambas estão associadas ao dever. Ao dever de viver, de dar vida e de entregar a vida.
A alegria não significa necessariamente felicidade, como a tristeza não transmite obrigatoriamente infelicidade. Pode-se ser feliz na tristeza e infeliz na alegria.
A alegria e a tristeza são expressões do afecto mais profundo que alimenta e estabiliza o amor. Pode-se amar na tristeza e desamar na alegria, embora se pense exactamente o contrário.
A alegria só existe porque há tristeza, senão seria um estado e alma neutro. A tristeza sem alegria seria uma espécie de pão ázimo onde faltaria o fermento que dá expressão à vida.
A alegria e a tristeza não são momentos. São estados de alma. Não se limitam a coabitar na mente. Aconchegam-se no coração e vagueiam pelo sangue.
Se a alegria é mais partilhada porque mais exteriorizada, a tristeza é mais solitária porque mais interiorizada.
Portugal, expressão de uma pátria e de um povo, é na sua soma uma expressão de alegria contida e tristeza afável. O fado e o canto exprimem a portugalidade deste modo de ser na duplicidade desta unidade sentimental.
Excerto do livro “Do lado de cá ao deus-dará”
de António Bagão Félix
Fotografia de Mark Freedom
JC
