
CHUVA
A chuva é na sua essência, um acto de arrependimento. Da água que, qual filho pródigo, regressa à terra própria. E um acto de reconciliação. Da terra que, qual mãe extremosa e amiga, a recebe com carinho.
Por vezes, porém, cai chuva ácida. E, assim sendo, o acto de reconciliação é toldado pela doença adquirida na viagem da partida. O que leva, algumas vezes, a que a terra-mãe se veja obrigada a tirar o cavalinhoda chuva.
Do livro "Do lado de cá ao deus-dará"
de António Bagão Felix
Imagem de F@ do blog Sal p!car te - http://flautistaon.blogspot.com/
JC