sábado, 1 de novembro de 2008

SOLIDARIEDADE


SOLIDARIEDADE

Fui fundador de uma Instituição Particular de Solidariedade social e, membro da Direcção, durante nove anos.
Foi dos melhores tempos que passei na minha vida. O nascer da Instituição, pedra sobre pedra, até à sua conclusão. A preocupação de onde iríamos buscar o dinheiro para pagar os materiais e ao construtor no final de cada mês. Este desafio tornou-me mais maduro, mais consciente da realidade que cada dia enfrentam muitos portugueses e que me fizeram transportar para o quotidiano de muitas famílias.
Elas precisavam do dinheiro para fazer face às despesas do dia a dia, comprar comida, roupa, livros e outros bens essenciais. Nós precisávamos do dinheiro para, como disse, pagar os materiais e ao construtor e, como consequência, este pagar aos funcionários para que pudessem satisfazer as suas necessidades básicas.
A vida é um ciclo.
Mas, como ia dizendo a Instituição ia crescendo, as verbas iam aparecendo e nós com muito custo víamos o nosso sonho concretizar-se. Esqueci-me de dizer, que vivo numa aldeia de cerca de seiscentos habitantes, que nem sede de freguesia é. O Povo sempre nos apoiou, essencialmente no aspecto financeiro e mão-de-obra. Isto fazia com que cada vez tivéssemos mais força para continuar e, passados cerca de quatro anos a primeira fase da obra estava concluída. Com o dinheiro e a mão-de-obra do povo e com verbas significativas do poder central este primeiro sonho estava realizado.
Esta foi para mim a fase mais marcante.
O dia em que entraram os primeiros idosos e as primeiras crianças hão-de marcar-me para o resto da minha vida.
Nessa altura funcionava apenas infantário, ATL e centro dia. Não estávamos satisfeitos e partimos para uma segunda fase. A criação do lar. Mais dores de cabeça. Donde vem o dinheiro? Onde o vamos buscar? Mas a Direcção e os outros Órgãos Sociais em conjunto com a população sempre souberam dar a resposta adequada.
Mais uma candidatura a fundos comunitários e, volvidos mais dois anos, viamos a segunda parte do sonho concretizado.
Pouco tempo depois estavam a entrar os primeiros idosos para o lar.
No final desta fase achei por bem retirar-me e dar lugar a outros que pudessem dar continuidade ao projecto por nós iniciado, ou mesmo melhorar o já existente.
O certo é que a Associação tem continuado a crescer e, neste momento, a funcionr em pleno, já com outras valências, sendo actualmente uma das Associações que melhor funciona no Distrito de Aveiro.
Nesta altura, ter-se-á já investido cerca de três milhões de euros.
Foi a fase da minha vida em que me senti mais realizado. O poder fazer algo por alguém que precisava e irá continuar a precisar. O concretizar dum sonho que à partida poucos acreditavam para além de nós Órgãos Sociais.
O poeta diz “ O sonho comanda a vida e quando um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança”. Aqui, nós sonhámos e concretizámos a obra.
Provavelmente um dia voltarei aos Órgãos Directivos da Associação, já me está a fazer falta viver o dia a dia da Instituição e os seus problemas e continuar a dar me aos outros.
JC


21 comentários:

Espaço do João disse...

Meu caro amig.
Fico grato pelas palavras deixadas no meu espaço. No entanto nada sei de botanica, sou unicamente um autodidata e adoro a natureza em todo o seu ser. Tudo que se relaciona com a natureza ( livros ) por ex.se tiver possibilidades compro.
Pelo que li o amigo é um filantropo. Nunca se arrependa de fazer o bem. Lembre-se sempre do velho ditado:- Faz o bem e, não olhes a quem. Um abraço . João

Carlos Barros disse...

eu sei que não deve ser nada fácil levantar um projecto e vê-lo nascer... mas deve ser gratificante...acaba por ser um filho...

abraço

BlueVelvet disse...

Não lhe conhecia esta obra, mas a solidariedade na forma de ser, conheço-a bem.
Um grande bem-haja, por isso.
Bom fim -de-semana
Beijinhos

Maria Dias disse...

Oi JC...

Entendo bem o que dizes... Quando damos... Quando dispomos do nosso tempo precioso para ajudar o próximo.Somos nós quem lucramos... O prazer em ver as as pessoas felizes,a união para que as coisas possam acontecer é essencial na vida...E todo o trabalho, tudo isso é recompensador no final.Nota-se que és um homem de bem e especial... Parabéns!

Bom fim de semana...

Beijos

Maria

Anónimo disse...

Ao ler este texto relembrei parte de um passado recente, também "fiz nascer", em conjunto com outros elementos, uma associação de solidariedade...foram gratificantes esses tempos, anos... em que me dediquei a esta causa que é a solidariedade...
Um bem-haja...para ti!
beijo
I.S.

Giane disse...

E qual criança sente-se feliz em abandonar o que a faz feliz?

Beijos mil, JC!!!

Vieira Calado disse...

São assim
esses "trabalhos de Hércules", gratificantes para nós próprio
e de extrema utilidade
para com os mais desfavorecidos.

Bem haja.

Patti disse...

Primeiro deixe-me dar os parabéns por tal iniciativa e coragem de avançar e acreditar num projecto que a maioria nem sequer lhe passa pela cabeça fazer.

Imagino a sua alegria e gratificação ao ver as primeiras pessoas a usufruírem de um sonho seu.

Muito brevemente a minha vida também irá passar por uma experiência do mesmo tipo, com outras características e por isso compreendo muito bem a sua emoção quando fala nesta obra louvável e daqueles que com ela ganharam.
Houvesse mais cidadãos assim, pois se todos fizéssemos só um pouco, seria tudo tão mais fácil.

Capitão Merda disse...

Acho que faz muito bem!

:)

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Olá Carlos

Depois das mini-férias (que foram excelentes) e com as baterias recarregadas, estou de regresso. E, de novo, visito o teu blogue, que continua em grande forma. Uma vez mais, muitos parabéns!

Mas – infelizmente há sempre um mas… - esta é a última vez que aqui venho. Nunca foste visitar-me; tenho sido sempre eu a tomar a iniciativa. E como não gosto de ir onde não sou chamado nem onde não há reciprocidade, aqui ficam as minhas despedidas. Não é uma crítica (quem seria eu para a fazer); é, apenas, uma constatação. Nem vais notar que eu me fui.

A Liberdade é, sobretudo, a escolha. Pelos vistos o meu blogue não é suficientemente interessante para merecer a tua atenção. Mesmo assim, muito obrigado.

Se um dia quiseres fazer o favor de o visitar, é o www.aminhatravessadoferreira.blogspot.com, que, como te disse, é o meu novo.

Qjs Abs

hantferreira@gmail.com

Tata disse...

Ah, que coisa maravilhosa. Gratificante realmente a quem faz o bem.

titofarpas disse...

Cada vez mais temos de ser solidários... com todos!!!
Grande abraço

prafrente disse...

Obrigado pelo seu testemunho de coragem.

Um abraço

Paradoxos disse...

magnânimo - sem dúvida nenhuma meu estimado amigo!!

abraços

Eduardo

dona tela disse...

Convido para fazer uma experiência lá no meu sítio. Olhe que é muito giro!
Respeitosos cumprimentos.

Oliver Pickwick disse...

Sempre desconfiei da generosidade do seu coração, amigo J Carlos, porém, não imaginava tão extensa.
Tem um grande mérito por estar durante anos à frente desta fundação, todavia, aposto que nesse tempo sentiu que recebeu muitos mais ajuda, do que efetivamente deu.
Tem a minha amizade e admiração.
Um abraço!

Gasolina disse...

A imensidão que se sente pela realização de qualquer projecto, o construír de nossas (tantas) mãos é do mais pleno que há.

Faz esquecer todos os contratempos que surgem até conseguir chegar-se ao telhado. E reinventa o que há de melhor no homem.

Volta sim. Por ti e pelos que precisam de ti.

Abraço.

Marcia Barbieri disse...

Belo trabalho,tbém espero um dia poder concretizar algo dessa imensidão,sem solidariedade somos vazios e a vida não tem sentido.

beijos ternos

Maria Dias disse...

Tenho sentido sua ausência... Está tudo bem?

Abraços

Maria Dias

dona tela disse...

Desculpe a ausência, mas ando cá com um stress...

Amistosas saudações.

Oliver Pickwick disse...

Ei, J Carlos! Pelo visto retornou à Associação. É um bom motivo para atrasar as postagens.
Um abraço e um bom fim de semana!