quarta-feira, 20 de agosto de 2008

EDUCAÇÃO CÍVICA




EDUCAÇÃO CÍVICA

Ao ler a revista Pública do passado dia 01 do corrente mês, deparei-me com um artigo do Psicólogo Eduardo Sá, pessoa que admiro, pela forma como escreve e como muitas vezes comenta assuntos do seu foro em vários programas televisivos.
O artigo tem como título “Os pássaros cantam quando dormem”, eu resolvi intitulá-lo no meu blog como “Educação Cívica” e terão oportunidade de ver porquê quando o lerem e reflectirem sobre ele.
Escreve então Eduardo Sá;
1. (Hoje vamos conversar sobre a sensibilidade. Não se assuste, por favor, com o modo como iremos começar…)
Ao entrar, num sábado destes, numa Loja do Cidadão, tive o privilégio de ver uma repartição inteirinha para mim. Diante de tão grande surpresa, dirigi-me directamente ao balcão das finanças. A minha radiosa simpatia esmoreceu de imediato. Sem olhar para mim, a funcionária (que conversava, distraída) mandou-me tirar uma senha…e aguardar a minha vez. Quando, incrédulo, estava prestes a lavrar um protesto, a senhora vincou que eu só devia falar depois de aguardar pela minha vez.
“A minha vez?...” pensei. “Mas só cá estou eu!...”
Para meu vexame…aguardei mesmo. Não sem que, antes, tivesse tirado as senhas 38 e 39. Passados uns longos minutos, e embora aloja carecesse de outros cidadãos, chegou a vez do 38. Depois de chamado algumas vezes, chegou a vez do 39.
- Não era o 38?...
(Bendito ar cândido que me ficou do colégio de freiras…)
- Eu?... Não!...Eu sou o 39… O 38 tinha-o na mão…mas teve de sair…
Se os olhos acrescentassem coimas aos impostos, ficava eu à beira de um ataque de nervos
- Sabe que é feio brincar com o trabalho dos outros? – perguntou-me a senhora…
- Sei. E é feio, sim senhor. (Mas porque é que o trabalho dos outros há-de brincar com a nossa paciência?)
2. Crescer é aprender a esperar pela nossa vez? Suponho que sim. Não no sentido de tirarmos uma senha mesmo quando percebemos que somos os primeiros. Mas, antes, ousando descobrir as pessoas que nos ponham em primeiro, gesto a gesto, e de surpresa, seja qual for o nosso lugar, ao pé de si.
Mas há pessoas que, devagarinho, se transformam num mata-borrão para os nossos sentimentos. Adormecem-nos, para a sensibilidade e transformam-nos em funcionários da vida. Criteriosos, no modo como nos distribuem senhas e funções que preenchem os seus espaços vazios.
3. Quando se trocam, os sentimentos são a nossa luz. (Ajudam-nos a perceber que estar vivo é aceitar todas as imprevisibilidades, sobretudo aquelas que aparecem sem a vez marcada.) Quando se vivem só para dentro, transformam-se em ressentimentos (e fazem do nosso coração um funcionário que exige que esperemos, apesar de sentirmos que já passou a nossa vez).
Sentir é, portanto, “a senha” que transforma a esperança que nos adormece… na nossa vez. Mesmo que a luz que nos chega, de alguém, de início nos baralhe. Como aconteceu com os pássaros do Jardim da Serra, na Madeira (quando passou a ter luz eléctrica) que cantavam até de noite.
Esse é o desafio de quem nos desperta para sentir: roubar-nos ao sono. Pois é: nas repartições, tirar uma senha… e logo s vê. Na vida, é melhor estarmos desprevenidos para os sentimentos, assim a luz nos diga qual é a nossa vez.
Acho que este retrata bem a educação cívica de algumas pessoas que estão nas diversas repartições públicas a atender-nos.



7 comentários:

Jorge disse...

Hello friend: it wanted invitarte that you visit blog that I am making with my students of second year of the secondary one on the DISCRIMINATION.
http://nodiscrimine.blogspot.com
arduous and interesting Subject.
Surely it will be of your affability.
We invited to you that you read what pleases of him and makes an opinion on he himself.
Its contribution will be valuable.
In blog it will find a translator of the page in several languages if he needs it.
A hug from Argentina.

f@ disse...

Há imensos problemas de civismo por toda a parte e em todos os aspectos… as pessoas guardaram os valores, esqueceram ou quem sabe nunca os tiveram… não é difícil viver em sociedade????
As pessoas espezinham-se por um minuto insultam-se sujam as ruas danificam bens públicos …
Até os animais ficam espantados com as atitudes dos homens… por exemplo os seres humanos usam o WC… mas trazem os lulus à rua aos passeios e aos jardins como se fosse normal… os animais usarem as árvores, as rodas dos automóveis ou os passeios como se WC animal se tratasse… porque o dono ensinou assim…
"os pássaros cantam quando dormen... os homens têm pesadelos , insónias e alguns resonam...
beijinhos das nuvens

Deusa Odoyá disse...

Olá meu novo amigo.

Vim conhecer seu blog, e ele é muito interessante.
Voltarei mais vezes.

Sua amiga do lado de cá.


Regina Coeli.

Te aguardo no meu cantinho.

dona tela disse...

Xaaauuu!!!

Maria disse...

A situação que descreve já me aconteceu. Infeizmente não tive o seu magistral dom para a narrar. Os meus Parabéns !

Antunes Ferreira disse...

LISBOA * PORTUGAL
ferreihenrique@gmail.com


Boas

Passei hoje por aqui para te dizer olá! E ver como vão as coisas. Pelo que vejo, felizmente bem. Repito: gosto deste blogue. Virei cá sempre que puder pois entendo que o mereces – e dá-me prazer.

Espero também que voltes ao meu Travessa do Ferreira (www.travessadoferreira.blogspot.com). Muito obrigado pelas olhadas e comentários. Volta sempre! Ficarei, podes ter a certeza, muito satisfeito.
Qjs/Abs

Storinha disse...

Ola boa noite! Depois de ter recebido um comentario teu no meu cantinho vim "cuscar" o teu blog...e gostei! Bem escrito, actual, temas interessantes... li este e prendeu-me a atenção porque aconteceu-me uma situação similar na loja do cidadão há uns tempos atrás.
Não escrevi nada sobre o assunto porque já começo a achar que sou eu que reclamo por tudo e por nada...
:)