domingo, 15 de fevereiro de 2009


O ruído urbano pode levar aves fiéis ao adultério.
O diamante mandarim, monogâmico, localiza o parceiro graças aos pios, que hoje são abafados pela poluição sonora.


Nem todos se sabem adaptar

Apesar de os melros e os chains-reais parecerem capazes de tirar partido do canto flexível para enfrentar a cocofonia urbana, nem todas as aves possuem essa capacidade de se adaptarem aos ruídos fortes e graves. As grandes perdedoras são as que dependem em muito, ou em exclusivo, dos cantos em surdina, e que são fisicamente incapazes de atingirem frequências mais altas. O papa-figos, o cuco, a felosa e até o muito abundante pardal comum incluem-se nesta categoria. Antigamente, estes pardais eram os visitantes mais assíduos dos parques e jardins britânicos, mas a sua população está em queda livre, uma tendência que também se observa no continente europeu. “ Não temos uma explicação concreta, mas o ruído pode ser um factor”, diz Hans Slabbekoorn. “As frequências baixas são uma componente importante do canto dos pardais comuns”.

O ruído forte pode ainda ter efeitos inesperados, como levar as aves mais fiéis ao adultério. O diamante mandarim, por exemplo, mantem uma relação monogâmica graças a uma série e pios que lhe permitem reconhecer e localizar o seu parceiro. John Swaddle, do Colégio William and Mary , em Williamsburg, Estados Unidos, descobriu que um ambiente ruidoso impedia as fêmeas de ouvir esses pios. Este fenómeno enfraquece os laços entre os parceiros, em geral muito fortes, e incita as fêmeas a trocar os seus eleitos por desconhecidos.

Mesmo entre as espécies que parecem ter-se adaptado à poluição sonora, há sinais de que as aves fazem o que podem e que a flexibilidade tem um preço. Os pintarroxos comuns despendem muita energia a tentar cantar mais alto, para abafar os ruídos da cidade, o que encurta as suas melodias. Como as fêmeas desta espécie preferem parceiros capazes de cantar durante muito tempo, os machos que compensam o ambiente sonoro poderão ter menos hipóteses de acasalar. O chapim-real tende a fazer admirar o seu registo vocal de frequência baixa no começo da época de reprodução: Mas essas notas requerem mais esforço, comenta Slabbekoorn. Constituem um bom indicador da potência do cantor e do seu potencial de acasalamento Esses sons melodiosos podem, todavia, perder-se entre a barulheira urbana e os machos que vivem nas cidades são forçados a encontrar um compromisso entre causar boa impressão e fazerem-se simplesmente ouvir.

O facto de os pássaros urbanos elaborarem estratégias destinadas a fazer face ao ruído permite entender a amplitude do problema. “ Há vários factores que influenciam a capacidade das aves de acasalar nas cidades, mas o ruído é o mais ignorado de todos”, observa Slabbekoorn Resta saber em que medida o ruído vai alterar o coro matinal que toda a gente já ouviu pelo menos uma vez na vida.
EXCERTOS REVISTA
NEW SCIENTIST LONDRES
AUTOR ED YONG
DE MAR./08

JC

8 comentários:

f@ disse...

O coro que falta quando abrimos a janela... até esquecemos que existem pássaros quando acor damos ....

Amanhã vou acor dar a pensar nas migalhas e dos bagos de arroz que os pardais gostam... e que eu tb já esqueci de lhes deixar... vou recomeçar...


Beijinhos das nuvens

pianistaboxeador21 disse...

Parece um conto fantástico. Imagine que os pássaros começassem a sumir sem explicação! Parece ficção e é realidade.
É difícil imaginar minha cidade sem pardais.
Abraço,
Daniel

pianistaboxeador21 disse...

Parece um conto fantástico. Imagine que os pássaros começassem a sumir sem explicação! Parece ficção e é realidade.
É difícil imaginar minha cidade sem pardais.
Abraço,
Daniel

Ana disse...

Olá amigo Carlos!
Somos do mesmo distrito, reparei no teu perfil:-)
Gostei do que vi e li aqui no teu espaço fantástico!
Trabalho perto da entrada da Barra e aqui onde moro, bem no centro da cidade, mas junto da Ria, consigo ouvir as gaivotas, quando andam em terra, que segundo dizem, é mau sinal.
Tens razão, lembro-me de passar pela Avenida Dr. Lourenço Peixinho e ouvir os passarinhos, era maravilhoso, hoje o ruído é tanto que eles não conseguem fazer-se ouvir, é uma pena!
Vou voltar aqui, para ler mais:-)
Tem uma linda semana.
Beijinhos,
Ana Paula

carol disse...

Olá,
Obrigado pela visita e sim, concordo que o Homem está a dar cabo de tudo, tanto com a poluição como com a destruição de habitats dos animais...

Boa semana

Carolina

Nanda Assis disse...

muito interessante tudo isso.

bjosss...

Estações da Vida disse...

Obrigada pela visita ao meu blog. O seu está maravilhoso. Precisamos de mais pessoas ligadas às causas humanitárias e ecológicas, para despertarem as consciências dos mais desavisados. Parabéns! Abraços.

Sylvia Narriman Barroso
www.passagensemarcas.blogspot.com

*Lisa_B* disse...

JC,
gostei deste artigo e para não dar a ideia que sou uma pessoa má ehehe até vou gracejar com os pobres dos passarinhos. Felizmente aqui onde vivo é numa Quinta e tenho imensas árvores e uma enorme de loureiro onde é um chilrear que ate faz perturbação na cabeça aquilo ali nascem ninhadas deles todos os dias certamente ehehe.
Agora a brinca...então já sei porque o meu ex marido andava a adulterar o casamento, ele devia piar e eu não o ouvia então ele dava umas voltitas enquanto não me encontrava. Deve ter uma origem de pássaro andante e a viver na cidade está tudo explicado iihihih. Sorry apeteceu-me!
Beijinhos e bons post's.